Sábado, 7 de novembro de 2026

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Sondas da NASA passam pela Terra rumo a Marte: o que é a missão ESCAPADE

Duas sondas gêmeas da NASA passam pela Terra em 7 e 9/11 para ganhar impulso rumo a Marte. Entenda a manobra, se dá para ver do Brasil e o que elas vão estudar.

As duas sondas da missão ESCAPADE em sala limpa antes do lançamento

Nove minutos de motor ligado, a uma altitude entre 965 e 1.770 quilômetros, definem se as duas sondas gêmeas da missão ESCAPADE, da NASA, seguem para Marte. A primeira passagem pela Terra estava marcada para a manhã de 7 de novembro de 2026, e a segunda, para 9 de novembro de 2026, segundo o anúncio que a agência espacial americana publicou em 2 de novembro.

Em três linhas: as sondas usam a gravidade da Terra e uma queima de motor para ganhar mais de 1.600 km/h. Em Brasília, as manobras começam às 6h51 de 7/11 e às 7h51 de 9/11. A chegada a Marte está prevista para 7 e 9 de setembro de 2027.

Até a publicação deste texto, a NASA não tinha divulgado em seu blog da missão a confirmação do resultado da primeira manobra; o registro mais recente era o anúncio de 2 de novembro. A seguir, os números da operação, em ordem de interesse para quem acompanha do Brasil.

 

6h51 e 7h51 em Brasília: os horários das duas queimas

A NASA divulgou os horários no fuso da costa leste dos Estados Unidos (EST, equivalente a UTC-5). Como Brasília está em UTC-3, basta somar duas horas:

SondaDataInício da queima (NASA, EST)Início em BrasíliaFim aproximado em Brasília
Sonda 1sábado, 7/11/20264h516h517h
Sonda 2segunda-feira, 9/11/20265h517h518h

No sul da Austrália, onde as sondas fazem a queima, os relógios marcam 20h51 e 21h51, já de noite. É por isso que o país foi apontado pela NASA como o lugar para tentar observar a manobra com telescópio.

 

Entre 965 e 1.770 km de altitude, sobre o sul da Austrália

A NASA informa a passagem mais próxima em milhas: de 600 a 1.100 milhas acima da superfície, o que dá entre cerca de 965 e 1.770 km. Para comparar, a Estação Espacial Internacional orbita a pouco mais de 400 km. As sondas passam bem mais alto, mas ainda perto o bastante para a gravidade da Terra fazer diferença na trajetória.

Ver as sondas do Brasil é improvável. Cada uma tem o tamanho de uma geladeira comum e, segundo a agência, aparece como um ponto fraco se movendo entre as estrelas, visível quase só com telescópio. Na hora das queimas já é dia claro no Brasil. Os mapas de observação da página de mapas estelares do Scientific Visualization Studio da NASA cobrem só cidades americanas, com melhor janela uma a duas horas antes da aproximação máxima. Para outras localidades, a NASA indica o sistema Horizons, do JPL, que calcula a posição de objetos no céu. Quem quer um programa a olho nu no mês tem as datas do Céu de novembro: Leônidas, Superlua e Urano; datas para ver no Brasil.

 

Mais de 1.600 km/h a mais com o estilingue gravitacional

A manobra combina duas coisas. A gravidade da Terra curva a trajetória e acelera a sonda, como um estilingue. No ponto de maior velocidade, perto da aproximação máxima, o motor é ligado por cerca de 9 minutos, na queima que a NASA chama de injeção trans-Marte. Ligar o motor justamente nesse ponto rende mais energia do que a mesma queima feita longe do planeta, princípio conhecido como efeito Oberth.

  • Velocidade antes: cerca de 6,3 milhas por segundo (perto de 10,1 km/s, ou Mach 30).
  • Velocidade depois: cerca de 6,7 milhas por segundo (perto de 10,8 km/s, ou Mach 31).
  • Ganho: mais de 1.000 milhas por hora, ou mais de 1.600 km/h.

Segundo a NASA, nenhuma nave a caminho de Marte havia feito com sucesso uma passagem com motor ligado desse tipo. A própria agência dá a escala: na velocidade final, uma sonda iria de Washington a São Francisco em menos de 7 minutos.

Ilustração da trajetória das sondas ESCAPADE entre a órbita da Terra e a de Marte
Ilustração da NASA mostra o caminho das sondas ESCAPADE da Terra até Marte. Imagem: NASA Scientific Visualization Studio / Advanced Space

 

Lançamento em novembro de 2025 e um ano de espera perto do ponto L2

As duas sondas saíram da Terra em novembro de 2025, num foguete New Glenn, da Blue Origin, quando Terra e Marte estavam em lados opostos do Sol. Em vez de seguir direto, elas foram estacionadas numa órbita de espera em torno do ponto de Lagrange L2 do sistema Terra-Sol, a cerca de 1,6 milhão de km daqui, para voltar à Terra no momento certo. A preparação teve um contratempo: a manobra de correção de uma das sondas foi adiada em dezembro de 2025 e só concluída em 6 de janeiro de 2026, de acordo com o blog da missão ESCAPADE.

 

Duas sondas em formação para medir o vento solar em Marte

Depois de cerca de 10 meses de cruzeiro, a sonda 1 deve chegar a Marte em 7 de setembro de 2027 e a sonda 2, em 9 de setembro de 2027. Lá, elas vão estudar como o vento solar, um fluxo de partículas que sai do Sol a cerca de 1,6 milhão de km/h, interage com o ambiente marciano e arranca parte da atmosfera do planeta. Será a primeira missão com mais de uma nave voando em formação ao redor de Marte, o que permite medir o mesmo fenômeno em dois pontos ao mesmo tempo.

A espera perto da Terra também rendeu ciência extra. As sondas registraram uma região distante da cauda magnética da Terra que nenhuma nave havia explorado diretamente, e a NASA diz que vai divulgar os resultados em breve.

 

Segunda janela em 9 de novembro, às 7h51 de Brasília

A data a marcar é a segunda-feira, 9 de novembro de 2026: a sonda 2 liga o motor às 7h51 de Brasília e termina a manobra por volta das 8h, se o cronograma do anúncio da NASA de 2 de novembro for mantido. Depois disso, o próximo marco é a chegada a Marte, em setembro de 2027. Para quem gosta de acompanhar o calendário espacial, a NASA também mantém o cronograma do programa lunar, resumido em NASA mantém volta à Lua em 2028: o cronograma das missões Artemis.

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