Educação

CNU 3 pode ter até 3 mil vagas: o que se sabe sobre o novo concurso

Até 3 mil vagas é a estimativa do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) para a terceira edição do Concurso Público Nacional Unificado, prevista para 2027. A informação foi enviada pelo ministério à Agência Brasil em 30 de outubro de 2026, com uma condição: o concurso só sai se o Congresso aprovar um Orçamento com espaço fiscal para novas contratações.

Ainda não há edital, lista de órgãos, cargos nem datas. O que existe é a intenção oficial de repetir o modelo conhecido como “Enem dos Concursos” e o histórico das duas primeiras edições, que dá pistas de como a terceira deve funcionar.

 

Estimativa do MGI para 2027: o que está confirmado e o que não está

Segundo a Agência Brasil, o MGI trata o concurso como uma política permanente de seleção de servidores, com edições em ciclos regulares, idealmente a cada dois anos. Em nota à Folhapress, o ministério falou em uma faixa de 2 mil a 3 mil vagas, somando cargos já autorizados e possíveis novas autorizações.

Já se sabeFalta definir
Intenção de fazer a 3ª edição em 2027Data de publicação do edital
Faixa de 2 mil a 3 mil vagasQuais órgãos e cargos entram
Dependência da aprovação do Orçamento de 2027Valor da inscrição e datas de prova
Ciclo pretendido de dois anos entre ediçõesBanca organizadora e número de blocos temáticos

Como 2026 foi ano eleitoral, não houve edição neste ano. As páginas do concurso no site do MGI chegaram a ser enxugadas durante o período de defeso eleitoral, de 4 de julho a 25 de outubro de 2026.

 

Projeto de Orçamento de 2027 decide se o edital sai

O ponto que trava tudo é o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA). Enviado pelo governo ao Congresso no fim de agosto, o texto reserva R$ 1,3 bilhão para novas contratações no Executivo federal e prevê 53.530 vagas ao todo, incluindo cargos novos e nomeações de aprovados em concursos anteriores, segundo a Folhapress. A conta não diz quantas dessas vagas iriam para o concurso unificado.

Na prática, o candidato deve olhar para o calendário do Congresso. A votação do Orçamento costuma acontecer até dezembro, mas já atrasou: a lei de 2025 só foi aprovada em março daquele ano. Um atraso desse tipo empurra a autorização das vagas e, por consequência, o edital.

 

Primeira e segunda edições em números

Livros abertos sobre a mesa com estudante desfocado ao fundo
A terceira edição pode ter menos vagas que as duas anteriores. Imagem ilustrativa. Foto: Pexels

 

As duas edições anteriores mostram que o tamanho do concurso varia bastante de um ciclo para outro:

Item1ª edição (2024)2ª edição (2025)
Vagas6.6403.652
Órgãos2132
Blocos temáticos89
Inscritoscerca de 2,1 milhões761.528
Provas18 de agosto de 2024 (adiada de maio pelas chuvas no Rio Grande do Sul)Objetiva em 5 de outubro e discursiva em 7 de dezembro de 2025

Os dados da segunda edição estão na página oficial do CPNU 2: das 3.652 vagas, 3.144 eram de nível superior e 508 de nível intermediário, e 1.172 ficaram para provimento no curto prazo depois da homologação. A primeira edição teve provas em 228 municípios.

Se a estimativa de até 3 mil vagas se confirmar, a terceira edição ficaria menor que as duas anteriores. A comparação ajuda a calibrar a expectativa sobre a concorrência, embora o número de inscritos dependa dos cargos que entrarem.

 

Estados e municípios no modelo unificado

O governo também discute levar o formato para fora da esfera federal. Segundo a Folhapress, a diretora de Planejamento da Força de Trabalho do MGI, Maria Aparecida Chagas Ferreira, disse que o ministério iniciou conversas com o Consad, conselho que reúne os secretários estaduais de Administração, para oferecer referências técnicas e jurídicas a concursos unificados nos estados. A ministra Esther Dweck afirmou que estados e municípios demonstraram interesse.

A ideia, de acordo com a diretora, é manter a Escola Nacional de Administração Pública (Enap) na execução e o MGI na coordenação. Nada disso tem data nem estado participante confirmado.

 

Estudo antes do edital: pistas das provas anteriores

Estudante fazendo anotações em um caderno ao lado de livros abertos
Sem edital, a preparação começa pelas provas aplicadas nas edições anteriores. Imagem ilustrativa. Foto: Pexels

 

Sem cargos definidos, dá para adiantar o que se repetiu nas duas edições. Um roteiro possível:

  1. Baixe os cadernos de provas e gabaritos da primeira edição, que continuam disponíveis na página do CPNU 1, e resolva com tempo cronometrado.
  2. Escolha o bloco temático mais próximo da sua formação. Nas duas edições, a inscrição foi feita por bloco, com lista de preferência entre os cargos dele.
  3. Treine a prova discursiva desde já. Na segunda edição, ela foi aplicada dois meses depois da objetiva e entrou na classificação final.
  4. Se você vai concorrer por cotas para pessoas negras, indígenas, quilombolas ou com deficiência, separe a documentação. Em 2025, houve etapas de verificação da autodeclaração e de caracterização da deficiência.
  5. Monte uma rotina que caiba no seu dia, com metas semanais. Há sugestões em O que muda na rotina de quem estuda para concursos?

Enquanto isso, outros órgãos federais seguem com seleções próprias, como em IBGE é autorizado a contratar 325 temporários; quando sai edital?

 

Próximo marco: votação do Orçamento no Congresso

O sinal que vai destravar a terceira edição é a aprovação da lei orçamentária de 2027. Depois dela, o MGI precisa publicar a autorização das vagas por órgão, e só então vem o edital com cronograma. Na segunda edição, a prova objetiva foi aplicada em 5 de outubro de 2025, poucos meses depois da publicação do edital. Se o roteiro se repetir, quem deixar para estudar só depois do edital terá pouco tempo até a prova.

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