A Organização Meteorológica Mundial (OMM) informou em 8 de outubro de 2026 que o El Niño deve se intensificar até atingir o pico em dezembro, com probabilidade de quase 100% de durar até fevereiro de 2027. A agência da ONU prevê que a temperatura da superfície do Pacífico tropical fique até 3,7 °C acima do normal entre outubro e dezembro, o que seria um recorde, segundo a Agência Brasil.
Na prática, isso significa um verão brasileiro com risco maior de extremos: seca e calor em parte do Norte e do Nordeste, chuva acima da média no Sul e em parte do Sudeste. Os temporais com alerta laranja que atingiram o Centro-Oeste e o Sudeste em outubro dão uma amostra de como o tempo pode ficar instável nos próximos meses.
Em resumo: o El Niño é o aquecimento anormal das águas do Pacífico equatorial, que muda o padrão de chuva e temperatura no mundo todo. O de 2026 pode ser um dos mais fortes desde 1950. Para o Brasil, a previsão oficial indica menos chuva e mais calor no Norte e Nordeste, chuva acima da média no Sul e temperaturas acima da média em boa parte do país.
O que é o El Niño, em linguagem simples
Imagine o Oceano Pacífico como uma grande banheira entre a Ásia e a América do Sul. Em condições normais, os ventos empurram a água quente da superfície para o lado da Ásia. De tempos em tempos, esses ventos enfraquecem, e a água quente se espalha de volta para o centro e o leste do oceano, perto da costa do Peru e do Equador.
Esse aquecimento muda a forma como o ar sobe e desce na atmosfera, e o efeito se espalha pelo planeta como uma onda: algumas regiões passam a receber muito mais chuva, outras muito menos. O El Niño é a fase quente de um ciclo natural chamado El Niño-Oscilação Sul e costuma aparecer a cada dois a sete anos.
A La Niña é o oposto: o resfriamento dessas mesmas águas, com efeitos geralmente invertidos. O nome El Niño vem de pescadores do Peru, que notavam a água mais quente perto do Natal e associaram o fenômeno ao menino Jesus, “El Niño” em espanhol.

Por que este pode ser recorde
O recorde anterior de anomalia de temperatura no Pacífico tropical era de 2,6 °C, registrado entre novembro de 2015 e janeiro de 2016. A previsão atual, de 3,7 °C, supera essa marca com folga.
A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, explicou que o oceano de onde o El Niño tira calor está mais quente do que em qualquer medição já feita pela organização. “Simplesmente há mais calor disponível para ser liberado”, disse. Ela afirmou que o evento pode ser um dos mais fortes desde pelo menos 1950.
No Brasil, o painel de acompanhamento coordenado pelo Inpe, com Inmet, ANA, Cemaden, Serviço Geológico do Brasil, Defesa Civil nacional e Censipam, calculou 95% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade “muito forte” entre outubro e dezembro, segundo o boletim do Painel El Niño divulgado pela Agência Brasil.
O que esperar do verão em cada região
O boletim brasileiro aponta tendências, não previsões dia a dia. Ainda assim, o quadro geral é claro:
| Região | Tendência com o El Niño |
|---|---|
| Norte | Menos chuva e calor, com risco de seca mais intensa e mais queimadas |
| Nordeste | Menos chuva e calor na maior parte da região; o leste pode ter chuva acima da média |
| Sul | Chuva acima da média, com possibilidade de enchentes |
| Sudeste | Chuva acima da média em parte da região |
| País em geral | Temperaturas acima da média em boa parte do território |
Há também uma dimensão global. O observatório europeu Copernicus registrou média de temperatura global de 16,96 °C em agosto de 2026, empatando com julho de 2023 como o mês mais quente já medido. Pesquisadores do Climate Impact Lab, da Universidade de Chicago, estimaram que o que chamam de “super El Niño” pode causar até 451 mil mortes adicionais no mundo entre junho de 2026 e fevereiro de 2027, principalmente pelo calor.
O que muda para você no dia a dia
- Calor: ondas de calor mais frequentes pedem atenção a hidratação, especialmente de idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas.
- Água e energia: no Norte e no Nordeste, a seca pode afetar rios e reservatórios; vale acompanhar avisos de racionamento locais.
- Chuva forte: no Sul e em parte do Sudeste, a preparação da casa para temporais (calhas, ralos, objetos soltos) ganha importância.
- Viagens de fim de ano: estradas e voos podem sofrer com tempestades em algumas regiões e com fumaça de queimadas em outras.
- Preços: extremos climáticos costumam afetar safras, o que pode chegar ao preço de alimentos.
Dúvidas que estão aparecendo
O El Niño causou os temporais de outubro?
Não dá para atribuir um temporal específico a ele, e outubro já é o início da estação chuvosa no Centro-Oeste e no Sudeste. O fenômeno muda as probabilidades e o padrão geral do clima, mas cada tempestade depende de condições locais.
Qual a diferença entre El Niño e La Niña?
São fases opostas do mesmo ciclo. No El Niño, o Pacífico equatorial fica mais quente que o normal; na La Niña, mais frio. Os efeitos no Brasil costumam ser, em linhas gerais, invertidos.
Até quando ele vai durar?
A OMM calcula probabilidade de quase 100% de o fenômeno persistir até fevereiro de 2027, com pico em dezembro. Depois do pico, eventos desse tipo costumam enfraquecer aos poucos, mas os efeitos sobre chuva e temperatura podem continuar sendo sentidos por algumas semanas.
Se você quer se preparar, então acompanhe isto
Se você mora no Sul ou no Sudeste, então acompanhe os avisos do Inmet e da Defesa Civil da sua cidade, porque a tendência é de chuva acima da média. Se mora no Norte ou no Nordeste, então fique atento a avisos de seca, de baixa umidade e de queimadas. Em qualquer região, se houver onda de calor, então reforce a hidratação e evite exposição ao sol nos horários mais quentes. Os boletins mensais do Painel El Niño e da OMM vão dizer se a previsão de recorde se confirma.











